Já estamos quase na metade do ano de 2021. O tema “ano novo” já ficou pra 2022. E você? Ainda se lembra dos vários hábitos que disse pra si mesma que adotaria para fazer de 2021 um ano “melhor do que 2020”?

Foto por Marko Klaric em Pexels.com

O título desse post é inspirado numa newsletter que recebi dia desses do Matheus de Souza e que, apesar de não ter nada a ver com o que vamos compartilhar nesse post, teve em mim um efeito de pura reflexão. Aliás, vocês também pegam UMA frase e transformam em reflexões de dias? Por aqui isso é recorrente..rs.

Bem, mas voltando à reflexão do ano novo que já é velho e do ano velho que até ontem era novo, a ideia desse post é te lembrar de que não existe momento melhor do que o AGORA para fazer escolhas que te levem em direção a uma vida mais leve, tranquila e autônoma.

Aqui em casa o lema é “só por hoje”! Todo novo hábito, nova rotina… ou até restrições necessárias do dia a dia (como comer menos açúcar, reduzir o consumo de industrializados ou diminuir o tempo no celular) são tratados como uma decisão para o dia de HOJE.

Dia desses, inclusive, eu estava conversando com uma das nossas mentoradas (que também é minha cliente na terapia floral) e ela me confessou que não estava conseguindo reduzir o consumo diário de doces. A conversa foi mais ou menos assim:

Mentorada: “Lembra que você me disse pra evitar sobremesas durante o tratamento de florais? Então… Não estou conseguindo Tenho comido sobremesa todos os dias! Preciso mudar esse hábito!

Paula: “O problema está justamente em você ver isso como uma mudança de hábitos ao invés de olhar pra isso como uma escolha diária. Vai por mim! A tal da ‘mudança pra sempre’ assusta nosso cérebro! Por isso é bom hackear ele as vezes dizendo que é só por um periodo!”

Percebe a sutileza dessa conversa?

Pense em todas as vezes que você teve que fazer uma escolha que – na sua cabeça – tinha o peso de decisão da sua vida; aquelas escolhas que geralmente carregam consigo expressões como “para sempre”, “nunca mais” ou “pro resto da vida”.

Me lembro como se fosse hoje da época em que eu tinha (achava que tinha né…) que escolher o curso que faria na faculdade, a profissão que “levaria pra vida”. Eu tinha 17 anos e parecia um martírio ter que decidir ali, ainda sem ter a mínima ideia de quem eu era, o que faria para produzir dinheiro para o resto da minha vida. Só de pensar nessa época me dá calafrios. Aquela decisão soava “definitiva demais” e meu cérebro chegava a congelar a cada teste vocacional, a cada inscrição de vestibular, a cada parente perguntando o que eu queria “ser” como se – além de ter que escolher uma profissão – eu ainda tivesse que lidar com a escolha de quem eu seria a partir dela.

Pois bem. O ponto é que nosso cérebro não faz ideia da diferença de peso que existe entre a escolha da “profissão da sua vida” e “deixar de comer sobremesa para sempre”. Pra ele, essas e tantas outras escolhas que carreguem essa carga de algo definitivo são alocadas numa mesma caixinha cujo rótulo é:

E é a partir dessa ideia de que a escolha de hoje deverá ser carregada pelo resto dos seus dias, sem data pra acabar, que começa o ciclo da procrastinação, da autossabotagem, da desmotivação.

Percebe o quanto isso assusta?

Pois bem. Assusta mesmo! E sabe qual é a principal função do nosso cérebro em termos comportamentais? Nos proteger do que nos oferece riscos. Se ele percebe que estamos indo por um caminho assustador, desconhecido, desconfortável, diferente do que está acostumado, a primeira reação dele é liberar substâncias que te façam parar imediatamente de ir nessa direção.

Não tem segredo:

Você se vê diante de uma decisão. Ela te assusta por parecer definitiva demais. Seu cérebro ativa o modo de segurança. Você paralisa. A sabotagem começa. As desculpas surgem num processo criativo incrível. Condicionantes passam a surgir. Você cria barreiras, culpa pessoas, discursa sobre o quanto é “difícil” agir diferente. Resultado: Você não se move!

E como faz pra isso não acontecer?

PASSO 1 – Pare de querer tomar decisões para a vida!

Existe uma técnica infalível, transformadora e que tem um potencial absoluto de resolver todos os problemas da sua vida! Essa técnica consiste em incluir a expressão SÓ POR HOJE em tudo que você fizer!

Como dissemos aí em cima, o nosso cérebro tem pavor do que parece não ter volta ou do que parece que vai demorar demais pra acabar. Das coisas mais simples às mais complexas, quanto mais “definitivo” ou sem previsão de fim, maiores são as chances de você largar de lado, desistir ou sequer começar.

Acredite em mim: isso não é só com você! É com todo mundo! Vou te mostrar na prática!
Vamos usar como exemplo o hábito mais desejado e mais negligenciado da nossa geração:

A tal da atividade física!

Quantas vezes você começou a semana dizendo “essa semana eu vou treinar!”?
Quantas vezes você “decidiu” que ia mudar o estilo de vida pra virar uma pessoa ativa?
Quantas vezes a “academia” foi “top list” nas metas de ano novo?
Quantas vezes você começou seu “projeto fitness” na segunda-feira e logo no dia seguinte já estava lamentando e arrependida de ter começado? E pior: desistiu em seguida porque percebeu que “essa vida não é pra você”?

Veja bem, desde criança você foi condicionada(o) a receber recompensas. Te ensinaram que o importante não é o caminho e sim o destino final. As viagens de carro em família até a colônia de férias nunca fizeram parte do passeio em si. Era sempre sobre a ansiedade de chegar lá.

Tá ok! Mas o que a viagem de férias tem a ver com a academia?
Eu explico: quando você começa algo e coloca o peso de estar mudando o seu estilo de vida para sempre, ou de que é só o começo de uma longa jornada, o seu cérebro recebe uma informação muito parecida com um “viajaremos pra colônia de férias, mas não temos ideia de quando chegaremos, ok?“.

E o que acontece? Ele desiste antes mesmo de começar, ou te faz acreditar que é difícil demais… afinal de contas, é uma mudança de 360º e pra vida toda, né? Quem não se assusta com algo assim? Ele – o cérebro – olha pra cada km rodado e logo conclui:

Toda vez que você estabelece uma meta de longo prazo, sem quebrá-la em mini degraus, o seu cérebro te lembra que a lei do mínimo esforço vale mais do que o tempo perdido. E é justamente nesse aspecto que a ideia do SÓ POR HOJE resolve a autossabotagem: porque se todos os dias você acordar se comprometendo apenas com aquilo que está de fato ao seu alcance, leia-se: HOJE, você não dará ao cérebro a chance de paralisar ou desistir por acreditar que o caminho é longo demais e que não valerá a pena a caminhada.

Faça o teste você mesma(o): O que te parece mais possível de conseguir? O compromisso de que daqui em diante você nunca mais deixará de ir pra academia ou o fato de que hoje – e somente hoje – você está comprometida a não ir dormir sem se exercitar por alguns minutos?

Não acredite no que eu estou te dizendo. Tire suas próprias conclusões escolhendo UMA coisa que você acredite te fazer bem (pode escolher um daqueles itens da lista de ano novo que já foi colocada de escanteio) e se comprometa em cumprir essa coisa HOJE. Repita o processo amanhã e, em hipótese alguma, preocupe-se se seguirá fazendo-a na próxima semana.

O ontem já não existe mais. Não se ocupe com ele.
O futuro ainda não existe e nunca chegará a existir, porque quando ele chegar já terá se transformado em presente.
A única coisa que existe e que sempre existirá é o HOJE. Então SÓ POR HOJE se comprometa em cumprir o que você acredita te colocar no caminho que você escolheu viver.

PASSO 2 – Repita comigo:

Definido não é definitivo.
Definido não é definitivo.
Definido não é definitivo.

Repita quantas vezes for necessário. Cole post-its na sua agenda, no espelho do seu banheiro, na sua geladeira. Sinta a diferença dos dois conceitos na prática.

Definido, segundo o dicionário, é algo que se conseguiu definir, determinar. Definitivo, por sua vez, é a versão final; algo que não pode ser mudado, que deve continuar ou permanecer do modo como está.

Definir que quer agir de forma diferente, que quer excluir hábitos que te drenam ou incluir condutas positivas no seu dia não faz disso uma escolha definitiva (e nem precisa!). O que é definido, é escolhido. O que é definitivo é uma prisão. E acredite: a última coisa que o seu cérebro quer é se comprometer com um futuro incerto do qual ele sente não ter a opção de se livrar!

Quando você integrar essa enorme diferença entre eles, o seu cérebro também entenderá e deixará – aos poucos – de te impedir de fazer escolhas simples (e complexas) que possam vir a se tornar novos hábitos.

A vida é uma inconstante. Deixar de fazer escolhas, de se movimentar e de promover mudanças por MEDO de não dar certo ou de não ser a “melhor escolha” é a forma mais eficaz de não sair do lugar.

O que você define hoje pode só servir pra hoje e amanhã já não valer mais… e está tudo bem! É pra isso mesmo que estamos aqui: para viver todas as variáveis e imprevistos possíveis e, ainda assim, conseguir reconhecer o aprendizado que isso nos trás.

É possível e seguro mudar de ideia, de planos, de desejos… desde que a mudança aconteça de forma ATIVA – por escolha – e não por DESISTÊNCIA.

Resumindo:

– Escolha UM item daquela listinha de metas do ano novo;
– Decida realizá-lo HOJE, ainda que apenas uma parte dele;
– Defina claramente os motivos que te fizeram incluir esse item na sua lista de metas/desejos;
– Lembre-se de que NÃO importa se você o fará amanhã de novo. O que importa é que você acorde amanhã consciente de que suas escolhas de hoje são responsáveis pelos resultados;

Por fim, entenda que não existe atalho. O que existe é uma caminhada longa cujos frutos vão sendo colhidos por quem está atento ao caminho e não apenas à linha de chegada que, por acaso, sequer existe!

Publicado por:Tranquilize

Um comentário sobre ldquo;ADEUS ANO NOVO, FELIZ ANO VELHO!

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